Candidatos Flávio Bolsonaro e Lula participam de debate da Band antes do 2º turno das eleições. REUTERS/Jean Carniel As campanhas de desconstrução ficaram em evidência no debate da Band neste domingo (18). O objetivo foi aumentar a rejeição do adversário, mostram pesquisas qualitativas.
Isso gera um efeito colateral do desencantamento do eleitor. Ao invés de um debate propositivo, aconteceu o contrário. Parecia que o segundo turno seria pautado de forma diferente, com soluções mais concretas para o futuro.
Mas diante de uma disputa muito acirrada, com um cenário de indefinição, a estratégia mudou. Ao invés de propostas, acusações. Quem perdeu foi eleitor, segundo aferiu pesquisas em grupos de debates.
Principalmente aquele eleitor que está indefinido ou não foi votar no primeiro turno. Questões como o ajuste fiscal não foram aprofundadas. Os candidatos evitaram falar de temas necessários que são impopulares.
Imprensa internacional vê debate entre Lula e Flávio Bolsonaro como 'caótico' e 'tenso' A Quaest foi um dos institutos que realizaram pesquisas qualitativas. Os resultados apontaram Flávio Bolsonaro como mais seguro, direto e claro. Mas, os entrevistados perceberam que ele fugiu de perguntas feitas pro Lula e que evitou abordar temas sobre os quais parecia menos preparado.
Já Lula foi visto como muito preparado para tratar de saúde, mas com respostas, em geral, confusas, carregadas de números e difíceis de acompanhar. O debate na Band foi um teste para a semana final nas campanhas eleitorais de Lula e Flávio Bolsonaro. Este foi o primeiro encontro entre os dois candidatos nestas eleições.
As duas campanhas fizeram grupos de pesquisa qualitativa durante o programa. O consenso é de que os dois candidatos tiveram dificuldade de atingir eleitores indecisos e não-alinhados. Os pontos positivos e negativos serão trabalhados pelas equipes antes do debate decisivo da TV Globo na sexta-feira (23).
O grupo analisado pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL) apontou que Lula estava muito nervoso e irritado durante o debate. E que o presidente teria se atrapalhado na tentativa de explicar suas propostas. Por outro lado, a pesquisa apontou que a postura de Flávio Bolsonaro de se posicionar atrás da câmera durante as falas de Lula passou a percepção de um excesso de ironia e de arrogância por parte do candidato.
E que ele precisa ser mais didático na explicação das propostas que está defendendo. Os resultados da pesquisa encomendada pela campanha de Lula (PT) são semelhantes. Os eleitores que participaram do grupo focal apontaram que Lula estava cansado e irritado, que não deu respostas diretas às acusações e que não conseguiu explicar suas propostas.
Em relação a Flávio Bolsonaro, o grupo analisado apontou que a postura do candidato foi artificial, mecanizada e excessivamente treinada. A falta de respostas às perguntas feitas por Lula também foram pontuadas pelos entrevistados. Temas para esta semana As pesquisas encomendadas pelas campanhas deram pistas sobre temas que deverão ser abordados pelos candidatos nesta reta final.
A equipe de Lula aposta no desafio feito pelo presidente da quebra dos sigilos telefônico e bancário. Enquanto a campanha de Flávio deve abordar a fala de Lula que se referiu ao oponente como "malandro carioca". Durante uma troca de acusações no debate, Lula desafiou Flávio a quebrar espontaneamente seus sigilos telefônico e bancário "para saber quem é ladrão".
O desafio foi bem recebido na pesquisa qualitativa. E o corte desse trecho já começou a ser explorado pela campanha de Lula na linha do ditado popular "quem não deve, não teme". Em outra troca de acusações, Lula disse que Flávio é um "malandro carioca".
A fala começou a ser explorada pela campanha de Flávio Bolsonaro e por seus auxiliares. O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), já gravou vídeo defendendo os nascidos no Rio de Janeiro e considerando a fala como preconceituosa.